Após meses de internação, Maria França Santos e Manoel Sebastião receberam alta hospitalar em momentos marcados por emoção, gratidão e vínculos construídos durante a trajetória de cuidado
Por Wellington Hugles
01/10/2026 16h09
ABAETETUBA (PA) – Em uma unidade hospitalar, a alta representa muito mais do que a saída de um paciente. Depois de dias ou meses de internação, voltar para casa significa reencontrar a família, retomar a rotina e seguir o tratamento em um novo cenário. Para quem permanece por longos períodos dentro de uma unidade hospitalar, esse momento também carrega histórias, desafios, encontros e vínculos que dificilmente ficam restritos às paredes do hospital.
Foi com esse olhar que a equipe do Hospital Regional do Baixo Tocantins Santa Rosa, por meio do Setor de Humanização, realizou, nos dias 23 e 30 de setembro, duas ações do Projeto “Tô de Alta!”. A iniciativa busca transformar a despedida do paciente em uma experiência de acolhimento, reconhecimento e celebração.
As histórias de Maria França Santos, de 50 anos, e Manoel Sebastião, de 60 anos, são diferentes, mas se encontram no mesmo ponto. Ambos enfrentaram longos períodos de hospitalização na Clínica Médica aguardando acesso à hemodiálise, deixando a unidade com a continuidade do tratamento e com boas lembranças de quem fez parte dessa trajetória.
Depois de 94 dias, Maria França volta para casa
No dia 23 de setembro, a emoção tomou conta da Clínica Médica durante a alta de Maria França Santos. Moradora do Ramal do Piratuba, em Abaetetuba, ela permaneceu 94 dias internada após chegar à unidade com um quadro de insuficiência renal aguda.
Impactada pelo diagnóstico, Maria França enfrentou momentos de intensa vulnerabilidade emocional durante a internação. Foi por meio da escuta atenta e do acompanhamento de profissionais do hospital, que ela pôde ressignificar essa dor e enxergar novas perspectivas para o futuro.
Emocionada ao deixar a unidade, Maria expressou a gratidão aos profissionais que a acompanharam durante a longa internação. “Quando cheguei aqui após receber diagnóstico, cheguei a perder a vontade de viver. Durante esses meses, no entanto, fui acolhida por pessoas incríveis, especialmente a psicóloga Elizabeth, que teve muita paciência e carinho comigo. Hoje saio agradecida por tudo. Levo cada gesto de afeto para a minha casa”, destacou.
“A história da Dona Maria nos lembra a importância de um olhar humanizado, que enxerga a pessoa por trás do diagnóstico. Em internações longas, acolher as emoções e dar voz ao paciente é fundamental para a recuperação. Foi muito significativo acompanhá-la nesse processo e vê-la retornar para casa. Desejo que esta nova fase traga esperança, força e novas alegrias”, destacou a psicóloga Elizabeth Silva.
109 dias de espera e uma despedida cercada de amizade
No final de setembro, foi a vez do paciente Manoel Sebastião vivenciar o tão aguardado momento de deixar a Clínica Médica. Morador de Moju, ele permaneceu internado por 109 dias aguardando uma vaga para hemodiálise, devido ao diagnóstico de doença renal crônica. A alta foi viabilizada após a garantia do acesso ao tratamento, permitindo que ele voltasse para casa e seguisse o cuidado mais próximo da cidade de origem.
“Foram muitos dias de internação, mas encontrei profissionais que cuidaram de mim com muito carinho e paciência. Sou grato a todos que me ajudaram a chegar até aqui. Voltar para casa e poder dar sequência ao tratamento é uma alegria enorme. Levo só gratidão no coração por tudo o que fizeram por mim”, declarou Manoel.
A despedida de Manoel ganhou um toque extra de emoção com a presença do colega de internação Mario Antônio Furtado. Ainda em tratamento na Clínica Médica, Mario fez questão de celebrar a vitória do amigo. Ao longo dos meses em que dividiram a rotina no hospital, os dois construíram um laço forte de companheirismo, mostrando que, mesmo em momentos delicados, nascem conexões capazes de trazer leveza e esperança aos dias difíceis.
Um corredor para celebrar a vida
Marcando o início de um novo ciclo fora do hospital, a saída de Maria França e Manoel reuniu profissionais, internos de Medicina e acadêmicos de Enfermagem no tradicional corredor de despedida do Projeto “Tô de Alta!”. Entre aplausos, sorrisos, girassóis e plaquinhas do projeto, a celebração transformou meses de incertezas e tratamentos em um momento coletivo de gratidão e afeto, reafirmando o compromisso do Hospital Santa Rosa com o cuidado humanizado.
“A alta hospitalar é muito mais do que deixar o hospital, é o retorno para o território, para a família, para a casa e para a vida que continua. Nas histórias da Dona Maria e do Seu Manoel, marcadas por internamentos longos, celebrar a alta é reconhecer a dedicação de cada profissional e a força da rede de cuidado que possibilitou essa volta para o lar”, pontuou a assistente social Elen Kelta.
Um corredor para celebrar a vida
Marcando o início de um novo ciclo fora do hospital, a saída de Maria França e Manoel Sebastião reuniu profissionais, internos de Medicina e acadêmicos de Enfermagem no tradicional corredor de despedida do Projeto “Tô de Alta!”. Entre aplausos, sorrisos, girassóis e plaquinhas do projeto, a celebração transformou meses de incertezas e tratamentos em um momento coletivo de gratidão e afeto, reafirmando o compromisso do Hospital Santa Rosa com o cuidado humanizado.
“A alta hospitalar é muito mais do que deixar o hospital, é o retorno para o território, para a família, para a casa e para a vida que continua. Nas histórias da Dona Maria e do Seu Manoel, marcadas por internamentos longos, celebrar a alta é reconhecer a dedicação de cada profissional e a força da rede de cuidado que possibilitou essa volta para o lar”, pontuou a assistente social Elen Kelta.
O cuidado que vai além da assistência
Para a diretora assistencial, Licia Lima, iniciativas como o Projeto “Tô de Alta!” reforçam a necessidade de um cuidado integral, que acolhe não apenas a demanda clínica, mas também a dimensão emocional e social de cada indivíduo. “A alta traduz o resultado de uma caminhada construída a muitas mãos. Humanizar esse momento é reconhecer a história e os sentimentos do paciente, mostrando que cada vida importa no Hospital Santa Rosa e celebrando, ao lado de todos, uma conquista fruto de dias de dedicação e esperança”, afirmou.
Ainda segundo a diretora, a iniciativa também transforma a visão dos próprios colaboradores sobre a assistência para além de procedimentos realizados. “Ao acompanhar a saída do paciente, a equipe reafirma que o ato de cuidar envolve empatia, escuta e afeto. Esses momentos fortalecem o vínculo entre profissionais e usuários, deixando a experiência hospitalar mais acolhedora e humana”, ressaltou.
Sobre o Projeto
O Projeto “Tô de Alta!” nasceu com o propósito de tornar mais humano um momento que, muitas vezes, pode passar despercebido em meio à rotina hospitalar. “Cada corredor que realizamos carrega uma história e o trabalho de muitas mãos. A entrega do girassol e da plaquinha simboliza que aquela trajetória importou e que todos celebram juntos essa vitória. Nossa missão é fazer com que a despedida do hospital seja guardada com carinho e esperança. O projeto promove, ainda, a integração e o fortalecimento de laços entre pacientes, profissionais, acadêmicos e internos”, explicou a Antonilda Pinheiro, do Setor de Humanização.
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