Cães terapeutas levam afeto e quebram rotina de crianças em tratamento do câncer

No Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, o projeto “Visita Pet” transforma o ambiente hospitalar com o uso da Terapia Assistida por Animais (TAA)

Por  Leila Cruz 
19/05/2026 16h00

Chico e Thomas exercem um papel fundamental no suporte emocinal dos pacientes. Foto: Jaíne Oliveira/Ascom Hoiol

Com o rabo abanando, temperamento dócil e  fantasiados de super-heróis, os cães terapeutas, Chico e Thomas, esbanjaram a gentileza e interação com os pacientes do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol) nesta terça-feira (19). A visita dos “aumigos” é um sopro de leveza para as crianças e adolescentes que fazem tratamento na unidade. Entre carinhos, brincadeiras e “lambeijos”, os pets exercem um papel fundamental de suporte emocional desses pacientes.

A pequena Juliana Rodrigues, de nove anos, interagiu com os animais e aproveitou para fazer um cafuné em Chico, um Golden Retriever de quatro anos, treinado para realizar visitas às instituições.  A capa de Superman combinava perfeitamente com a missão de salvar o dia dos pacientes. “O pelo dele é bem macio. Ele gosta de ganhar carinho nas costas”, relatou Juliana, que fez o seu próprio diagnóstico sobre o comportamento do visitante. “O rabinho dele balançou, acho que isso significa que ele estava feliz”, completou.

A paciente Juliana Rodrigues, à direita, interagiu com os animais. Foto: Jaine Oliveira/AscomHoiol

A ação faz parte do projeto “Visita Pet”, iniciativa desenvolvida pelo Escritório de Experiência do Paciente (EEP) do hospital, que coloca em prática a Terapia Assistida por Animais (TAA). Muito além do entretenimento, a presença dos cães atua diretamente no bem-estar emocional e físico dos pacientes, reduzindo os níveis de estresse e ansiedade comuns durante a hospitalização prolongada. 

Conforme explica Elizabeth Cabeça, do EPP, a  introdução  dos animais em um ambiente de oncologia exige um protocolo rigoroso de segurança. “Antes de cada visita, o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) atua em conjunto com as equipes médica, de enfermagem e de humanização para avaliar quais pacientes estão clinicamente aptos a participar da interação na brinquedoteca. As crianças passam por triagem rigorosa e os cães devem estar  higienizados, vermifugados e com o esquema vacinal em dia”, complementou.

O impacto da humanização hospitalar ultrapassa os leitos e alcança também que se dedica diariamente ao cuidar. Foto: Jaíne Oliveira/Ascom Hoiol

De acordo com a profissional, a mudança na atmosfera do Hoiol é imediata assim que as patinhas tocam o hospital. O impacto da humanização hospitalar ultrapassa os leitos e alcança também quem se dedica diariamente ao cuidar. “Os cães trazem alegria para os usuários, acompanhantes e colaboradores. Passando pelo ambulatório, pela classe hospitalar, setores de internação e brinquedotecas, a presença deles garante sempre um momento de muita descontração”, destacou.

Referência em oncologia infantojuvenil

Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é referência na região amazônica no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, atendendo pacientes de 0 a 19 anos.

Fundada em 2015, a unidade é gerenciada pelo Instituto Diretrizes (ID), por meio de contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).