Hospital Octávio Lobo promove atividades educativas na Região Metropolitana de Belém para ensinar a população a reconhecer os sinais de alerta
Por Leila Cruz
26/09/2026 17h08
Fortalecer a rede de diagnóstico precoce é fundamental na luta contra o câncer infantojuvenil no Pará. Para ampliar o conhecimento sobre os sintomas, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol) promoveu, neste Setembro Dourado, rodas de conversa com pacientes, acompanhantes e colaboradores e ações educativas em escolas e UPA Marambaia. A iniciativa capacita familiares e profissionais da atenção básica a identificar sintomas persistentes e garantir o encaminhamento dos pacientes ao serviço especializado com mais agilidade.
“Levar essa discussão para espaços de grande circulação amplia o número de pessoas capazes de reconhecer os sinais de alerta. Professores, familiares e profissionais da atenção básica passam a compreender que sintomas persistentes ou incomuns precisam ser investigados, modificando a rota do paciente para que ele chegue ao serviço especializado de forma mais rápida e organizada, antes das complicações”, destaca a oncologista pediátrica e diretora técnica do Hoiol, Alayde Vieira.
Segundo Alayde Vieira, a ideia é reforçar a rede pública de saúde e organizar melhor o percurso da criança e do adolescente, desde a suspeita na atenção básica até a confirmação diagnóstica e o início do tratamento na alta complexidade. “Os investimentos em estrutura, a qualificação profissional e a ampliação do acesso aos exames ajudam a reduzir etapas e evitam que as famílias percorram vários serviços sem uma orientação clara”, afirma.
Para a especialista, esse avanço é muito importante em um estado com as dimensões e as particularidades geográficas do Pará. Portanto, é “necessário aperfeiçoar a integração entre os municípios, a regulação e os hospitais de referência, porque o tempo entre os primeiros sinais e o início do tratamento pode fazer uma diferença decisiva no prognóstico dos pacientes”.
A importância da suspeita precoce e os diferenciais do atendimento
Unidade de alta complexidade voltada exclusivamente à oncologia infantojuvenil, o Hospital oferece suporte integral, desde a avaliação inicial com oncologistas e especialistas até o início do tratamento. A assistência é guiada por um plano terapêutico individualizado, que inclui quimioterapia, cirurgia e radioterapia.
A estrutura conta com 89 leitos, sendo 10 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). E dispõe de serviço de urgência e emergência 24 horas para pacientes egressos. Além da assistência especializada, a instituição promove um cuidado humanizado com brinquedoteca, atividades educativas e suporte emocional.
“Como não existe um único sistema de estadiamento aplicável a todos os cânceres infantojuvenis – englobando patologias distintas como leucemias, linfomas, tumores do sistema nervoso central e tumores sólidos -, o Hoiol ainda recebe rotineiramente crianças e adolescentes com doença extensa ou massas volumosas que poderiam ser evitadas com suspeitas mais precoces. Embora isso não signifique ausência de possibilidade de cura, exige tratamentos mais intensos e eleva o risco de sequelas”, explica Alayde Vanderley.
Conforme a oncologista pediátrica, o tratamento costuma empregar menor carga terapêutica quando o diagnóstico é precoce, garantindo maior controle da doença, qualidade de vida e perspectivas de cura que podem superar 80% em centros especializados, conforme as referências do Instituto Nacional do Câncer (Inca).
Transformar o diagnóstico precoce em uma linha de cuidado contínua exige capacitação periódica das equipes da atenção primária, urgências, pediatras, escolas, protocolos claros, acesso oportuno a exames, regulação priorizada e comunicação direta com serviços de referência. “No contexto paraense, é indispensável considerar rios e distâncias por meio de apoio aos municípios, estratégias de teleconsultoria, transporte sanitário e suporte social, reafirmando que o diagnóstico precoce é uma construção coletiva de toda a rede de saúde”, enfatizou.
Roda de conversa com as famílias
A programação da campanha inclui espaços fundamentais de diálogo, a exemplo das ações internas e rodas de conversa na brinquedoteca (5º andar) e no auditório, com as oncologistas pediátricas Karoline Silva e Mariana Barbosa. Nesses encontros, relatos reais evidenciam o impacto da detecção precoce. É o caso de Anne Wanderley, administradora e mãe da pequena Manoela Tavares Lima, de 5 anos, que há um ano e meio realiza tratamento contra a leucemia no hospital.
Ela relembra que os primeiros sinais foram manchas roxas atípicas nas pernas, associadas inicialmente a uma queda, seguidas de uma mudança repentina no comportamento da filha, que pedia colo constantemente e perdeu o ânimo para brincar. Foi essa atenção que levou Manoela a receber tratamento no início da doença.
“É necessário ficar alerta ao que não for normal da criança. Uma criança que seja ativa, que brinque, que comece a ficar quietinha, já não dando atenção ao que sempre gosta. Nós, pais, sempre achamos que a criança está com uma gripe… Mas em caso de um comportamento anormal da criança, deve-se logo procurar o pediatra, um pronto-socorro, uma emergência”, alerta Anne.
Educação em Saúde na UPA e engajamento comunitário
Como parte das atividades externas de conscientização, o Núcleo de Educação Permanente e setor de Humanização do Hoiol, juntamente com acadêmicos de medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), realizaram ações educativas e palestras voltadas aos pacientes e acompanhantes na UPA da Marambaia.
Para o acadêmico Luiz Andrade, a vivência extracurricular reflete o papel social da universidade. “É muito importante fazer esse processo de educação e saúde, estamos devolvendo para a sociedade aquilo que aprendemos na universidade. Nosso propósito não é reter o conhecimento, mas sim levá-lo para a população, para que seja multiplicadora dessas informações”.
A iniciativa gerou eco imediato entre os frequentadores da UPA. A autônoma Clara dos Santos, de 22 anos, moradora do bairro da Cabanagem e mãe do pequeno Zion, de 2 anos, acompanhou a palestra e ressaltou a relevância da orientação: “É para a gente ficar mais atenta aos nossos filhos, né? Porque às vezes aparecem sintomas que a gente não sabe o que é. Às vezes nós procuramos atendimento e até mesmo os profissionais do pronto atendimento não sabem identificar corretamente a doença. Então, é importante a gente conhecer esses sintomas.”
Para encerrar o mês de mobilização, a campanha finalizou no dia 26 com a ação “De olho nos olhinhos”, realizada no Shopping Metrópole, com foco na conscientização e no diagnóstico precoce do retinoblastoma. Esse tumor intraocular é mais comum na infância, afetando, principalmente, a retina bebês e crianças pequenas (geralmente antes dos 5 anos de idade).
Matriz – Sede Administrativa:
Av. Ipanema, 165 – Cj. 1501, 18 do Forte – Alphaville – Barueri – CEP: 06472-002
Horário de Atendimento:
08h00 às 17h (Horário de Brasília) – Segunda a Sexta-Feira (exceto feriados).
Contato:
(11) 4208-3500