Hospital Octávio Lobo alerta para sinais que podem indicar retinoblastoma em crianças

Avaliação médica diante de alterações alterações nos olhos favorece o diagnóstico precoce e aumenta as chances de preservação da visão

Por Ellyson Ramos
26/09/2026 17h25

Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo atua no diagnóstico e tratamento de crianças e adolescentes com câncer na região amazônica. Foto: Divulgação

O aparecimento de um reflexo branco na pupila, perceptível principalmente em fotografias com flash, pode ser um sinal de alerta para o retinoblastoma, tumor maligno que se desenvolve na retina e é o câncer intraocular mais frequente na infância. A doença costuma se manifestar nos primeiros anos de vida, sobretudo antes dos 3 anos, e pode atingir um ou ambos os olhos.

Segundo a oncologista pediátrica e diretora técnica do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), Alayde Vieira, a leucocoria, popularmente conhecida como “reflexo do olho de gato”, merece investigação médica. Isso porque, em condições normais, fotografias com flash costumam produzir um reflexo avermelhado nos olhos. Quando uma das pupilas aparece branca, amarelada ou diferente da outra, porém, é necessário procurar avaliação médica. “É um sinal de alerta que não deve ser ignorado. Se aparecer repetidamente, em diferentes fotos ou condições de iluminação, a criança precisa ser examinada rapidamente por um oftalmologista”, afirma a especialista.

Outro possível sinal é o estrabismo, especialmente quando surge de forma recente ou persistente. Dificuldade para enxergar, sensibilidade excessiva à luz, vermelhidão persistente e mudanças na aparência dos olhos também podem ocorrer. Dor e aumento do volume ocular tendem a aparecer em casos mais avançados. Para Alayde, alterações oculares persistentes em crianças devem ser avaliadas o quanto antes. “O diagnóstico precoce é fundamental porque aumenta as chances de cura e também as possibilidades de preservar o olho e, quando possível, a visão”, explica a oncologista.

A oncologista e diretora técnica do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, Alayde Vieira, orienta sobre os sinais de alerta do retinoblastoma em crianças. Foto: Divulgação

Foi justamente uma alteração visível no olho que chamou a atenção de Luciane Gomes, de 28 anos, mãe de Paloma Valentina, de 3 anos. “Há uns dois meses, quando eu colocava ela para mamar, comecei a perceber que um olho estava diferente do outro. Eu via uma coisa branca dentro do olho dela, que não aparecia no outro. Na hora, a gente ficou com medo, sem saber o que podia ser”, recorda a mãe da menina.

Moradora de Abaetetuba, nordeste paraense, Luciene conta que, após procurar atendimento e realizar a investigação, o retinoblastoma foi confirmado. No caso de Paloma, a equipe optou pela retirada do olho comprometido devido à extensão da doença e à presença de outra lesão, com o objetivo de evitar a disseminação do tumor. A cirurgia foi realizada com sucesso, e a criança está em recuperação.

Ao lembrar da experiência, Luciane reforça a importância de os pais observarem atentamente os olhos dos filhos, tanto no dia a dia quanto em fotografias. “Observem os seus filhos. Olhem para os olhos deles e vejam se tem algo diferente. Se for tirar uma foto e aparecer uma luzinha branca dentro do olho, isso é um alerta. Pelo que eu passei, eu percebi que, quando tirava uma foto, o olho da Paloma ficava branquinho. Na luz do sol também ficava branquinho.”

Luciane Gomes percebeu uma alteração no olho da filha Paloma, de 3 anos, e buscou atendimento médico. Foto: Divulgação

Diagnóstico – A investigação do retinoblastoma deve ser realizada por uma equipe especializada. O principal exame é a avaliação detalhada do fundo do olho com a pupila dilatada, procedimento que, em crianças pequenas, pode exigir sedação ou anestesia. Exames como ultrassonografia ocular e ressonância magnética das órbitas e do cérebro podem complementar a avaliação. De acordo com a oncologista, geralmente não é realizada biópsia do retinoblastoma, porque a manipulação direta do tumor pode favorecer a disseminação das células tumorais.

No Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, a criança com suspeita de retinoblastoma é avaliada de forma integrada. “A avaliação é feita pelos profissionais da oncologia pediátrica, da oftalmologia e pelos demais profissionais necessários. A equipe participa da confirmação diagnóstica, do estadiamento, da definição do tratamento e do acompanhamento após o término da terapia”, explica Alayde.

Campanha “De Olho Nos Olhinhos” promove conscientização sobre o retinoblastoma e orienta pais e responsáveis sobre os sinais da doença. Foto: Divulgação

O tratamento depende das características de cada caso e pode incluir quimioterapia sistêmica, laser, termoterapia, crioterapia, quimioterapia intra-arterial ou intravítrea e, em situações mais avançadas, a enucleação, que consiste na retirada cirúrgica do olho comprometido. A radioterapia é reservada para situações específicas.

A médica ressalta que a prioridade é preservar a vida da criança e, quando houver condições de segurança, o olho e a visão. “Nosso primeiro objetivo é sempre salvar a vida da criança. Em alguns casos conseguimos manter o globo ocular, mas a visão pode continuar limitada pela localização ou pela extensão do tumor. Em outros, a retirada do olho é a conduta mais segura, principalmente quando a doença é extensa, o olho já não tem possibilidade funcional ou existe risco de disseminação. Essa decisão nunca é tomada de forma automática: cada caso é discutido cuidadosamente com a equipe e com a família, priorizando a segurança e a vida da criança.”

Foto: Divulgação

Conscientização – Profissionais do Hoiol participam neste sábado (26) da campanha “De Olho Nos Olhinhos”, movimento nacional de conscientização e incentivo ao diagnóstico precoce do retinoblastoma. A ação foi realizada das 10h às 22h, no Shopping Metrópole Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, com o objetivo de alertar pais e responsáveis sobre os sinais e sintomas da doe

Foto: Divulgação

Para a especialista, a atenção dos familiares é importante porque o retinoblastoma pode apresentar sinais perceptíveis no cotidiano. A identificação precoce permite que a criança seja encaminhada rapidamente para investigação e tratamento, ampliando as possibilidades de controle da doença e de preservação do olho e da visão. “Quando se trata de uma alteração ocular recente, especialmente em crianças pequenas, a avaliação oftalmológica deve ser realizada o quanto antes”, conclui Alayde.