Hospital Octávio Lobo participa de evento sobre os desafios e avanços no combate ao câncer infantojuvenil no Pará

Campanha Setembro Dourado 2026 foi aberta em Belém e reforçou a importância do diagnóstico precoce, do tratamento especializado e da atenção aos sinais da doença

Por Ellyson Ramos
14/09/2026 12h25

Abertura da campanha Setembro Dourado 2026 reuniu profissionais de saúde, gestores, instituições parceiras, pacientes e familiares em Belém. Foto: Ellyson Ramos/Ascom Hoiol

Representantes do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol) participaram, na manhã da última sexta-feira (11), da abertura da campanha Setembro Dourado 2026, realizada no auditório da sede da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), em Belém (PA). O evento reuniu gestores, profissionais de saúde, instituições parceiras, pacientes e familiares para reforçar a importância do diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil.

Com o tema “O câncer infantojuvenil tem desafios, mas também tem cura. Fique atento aos sinais”, a mobilização promovida pela Sespa, por meio da Coordenação Estadual de Atenção Oncológica, destacou a importância de reconhecer sinais e sintomas persistentes na saúde de crianças e adolescentes e buscar avaliação médica.

Roda de conversa abordou perspectivas, desafios e avanços na oncologia infantojuvenil no Pará. Foto: Ellyson Ramos/Ascom Hoiol

A participação da gestão e de profissionais do Hoiol reforçou o compromisso da instituição com a assistência especializada, a disseminação de informações e o fortalecimento das estratégias de diagnóstico precoce. A diretora-geral do Hoiol, Sara Castro, compôs a mesa de abertura e destacou a relevância da mobilização e da atuação integrada entre os diferentes setores da saúde no enfrentamento ao câncer infantojuvenil.

“O câncer infantojuvenil exige que estejamos atentos e trabalhando juntos para fortalecer a assistência e ampliar o acesso à informação sobre os sinais da doença. O diagnóstico precoce pode mudar o curso do tratamento e aumentar as possibilidades de cura. Por isso, é fundamental que toda a rede de saúde esteja preparada, e o Hoiol tem um papel importante nessa construção, tanto pelo atendimento especializado que oferece quanto pelo conhecimento que produz e compartilha. Tenho muito orgulho da nossa equipe e de tudo o que estamos construindo em parceria com o Estado e com instituições como a Universidade Federal do Pará”, afirmou Sara, ao destacar a parceria da unidade com a UFPA na promoção de ações educativas sobre o câncer infantojuvenil em escolas.

A diretora-geral do Hoiol, Sara Castro, participou da mesa de abertura do Setembro Dourado 2026. Foto: Ellyson Ramos/Ascom Hoiol

Programação – Um dos destaques da programação foi a roda de conversa “Perspectivas da Oncologia Infantojuvenil”, que reuniu profissionais e representantes da área. O encontro abordou temas relacionados à identificação e ao cuidado de crianças e adolescentes com câncer, desde a atenção primária até o tratamento especializado. Entre os assuntos discutidos estiveram o papel da Coordenação de Saúde da Criança no diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil na Atenção Primária à Saúde; o panorama da oncologia infantojuvenil, do diagnóstico e tratamento no Pará; os avanços no tratamento do câncer infantojuvenil; e os cuidados paliativos.

Evento reforçou a importância da atuação integrada da rede de saúde no diagnóstico precoce e no cuidado de crianças e adolescentes com câncer. Foto: Ellyson Ramos/Ascom Hoiol

A programação também destacou a atuação do terceiro setor na oncologia infantojuvenil, ressaltando a contribuição de instituições e organizações parceiras no suporte aos pacientes e familiares. O encontro contou ainda com um momento dedicado a relatos de pacientes e ex-pacientes oncológicos, que compartilharam experiências e trajetórias que reforçam a importância do diagnóstico e do tratamento adequado.

Ex-pacientes oncológicos compartilharam experiências de superação e destacaram a importância do diagnóstico e do tratamento especializado. Foto: Ellyson Ramos/Ascom Hoiol

A estudante de medicina Júlia Portugal, ex-paciente oncológica, compartilhou sua jornada contra o linfoma linfoblástico de células B, um tipo raro e agressivo de câncer que se origina em células imaturas do sistema imunológico. Ao relembrar o período de tratamento, Júlia destacou as transformações provocadas pela experiência. “No início, eu enxergava o diagnóstico como uma porta fechada. Mas hoje eu vejo quantas portas foram abertas por conta disso. Hoje eu enxergo um propósito na minha vida não só como ex-paciente, mas também como futura profissional da saúde”, disse.

Durante o relato, ela também ressaltou a importância do trabalho multidisciplinar para além da cura e destacou o impacto da equipe de saúde na qualidade de vida do paciente. Júlia citou a atuação de médicos, enfermeiros, técnicos, fisioterapeutas, psicólogos e demais membros da equipe multiprofissional que participaram de seu tratamento e também ofereceram suporte à família. “O que vocês fazem não só salva a vida das pessoas, mas também muda a vida delas”, declarou aos profissionais presentes.

Por fim, a estudante defendeu que o cuidado ao paciente oncológico deve ser integral e humanizado desde o diagnóstico, contemplando não apenas o tratamento da doença, mas também o bem-estar ao longo de todo o processo. Para Júlia, a experiência pessoal ajudou a ressignificar a própria percepção sobre a doença. “Câncer não é uma sentença. Muitas vezes, assim como foi para mim, ele também pode ser uma porta aberta. Espero que a gente consiga enxergar a doença de uma maneira diferente. Que possamos oferecer não apenas a cura, que é o principal objetivo do tratamento, mas também proporcionar qualidade de vida durante esse processo”, concluiu.

Setembro Dourado chama atenção para os sinais do câncer infantojuvenil e para a importância da busca por atendimento de saúde. Foto: Ellyson Ramos/Ascom Hoiol

Atenção aos sinais – Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano no Brasil, no período de 2026 a 2028. No Pará, a estimativa para 2026 é de 240 novos casos. Ainda de acordo com o instituto, cerca de 80% das crianças e adolescentes com câncer podem ser curados quando a doença é diagnosticada precocemente e o tratamento é realizado em centros especializados.

Diferentemente de muitos tipos de câncer em adultos, o câncer infantojuvenil geralmente não está relacionado a fatores externos ou a hábitos de vida. Por isso, a atenção aos sinais e sintomas e a busca por atendimento diante de alterações persistentes são fundamentais para favorecer o diagnóstico em estágios iniciais.

Entre os sinais que merecem atenção estão palidez, perda de peso sem causa aparente, cansaço persistente, febre prolongada, dores frequentes, aparecimento de caroços ou massas, alterações nos olhos, sangramentos sem explicação e mudanças neurológicas, entre outros. A presença desses sinais não significa necessariamente câncer, mas devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

Participantes do evento acompanharam debates sobre os desafios e avanços da oncologia infantojuvenil. Foto: Ellyson Ramos/Ascom Hoiol