No Oncológico Infantil, campanha de doação de sangue ajuda a manter tratamento de crianças e adolescentes

Em parceria com o Hemopa, campanha do Hospital Octávio Lobo reforça os estoques do recurso fundamental para garantir a continuidade da assistência

Por Ellyson Ramos
14/08/2026 20h16

A campanha reuniu profissionais, voluntários, parceiros e doadores em uma mobilização pela manutenção dos estoques de sangue do Hoiol. Foto: Divulgação. Foto: Divulgação

A mobilização de dezenas doadores reforçou, nesta sexta-feira (14), os estoques de sangue destinados ao atendimento de crianças e adolescentes em tratamento no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém. A campanha, realizada em parceria com a Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa), faz parte de uma programação periódica voltada à manutenção dos estoques necessários à assistência aos pacientes da unidade. Na edição de hoje, 56 bolsas foram arrecadadas, doações que podem beneficiar até 224 pacientes.

No tratamento oncológico, transfusões podem ser necessárias em diferentes etapas da assistência. Por isso, a reposição dos estoques precisa ocorrer de forma contínua, já que o sangue não pode ser produzido artificialmente e depende exclusivamente da doação voluntária. “A doação de sangue é um recurso indispensável para nossas crianças, especialmente para os pacientes oncológicos, que frequentemente necessitam de transfusões”, explica Natacha Cardoso, coordenadora de Humanização do Hoiol. Segundo ela, a mobilização de doadores é planejada ao longo do ano para manter uma rede permanente de apoio ao hospital.

José Osmar, Pedro Lucas e Fátima Oliveira participaram da campanha de doação do Hoiol. Foto: Divulgação

O Hoiol realiza três campanhas de doação de sangue por ano, em intervalos aproximados de quatro meses. A mobilização envolve instituições parceiras, entre elas Marinha, Exército e Aeronáutica, grupos voluntários e colaboradores do próprio hospital.

Para o diretor administrativo do Hoiol, César Gonçalves, a participação da sociedade contribui diretamente para o êxito das ações de captação de doadores. “Quando falamos em doação de sangue, estamos falando de um gesto que chega diretamente ao cuidado dos nossos pacientes. Para uma criança ou adolescente em tratamento oncológico, ter sangue disponível no momento necessário pode fazer toda a diferença na continuidade da assistência. Por isso, nosso agradecimento a todos que participam e ajudam a manter essa corrente de solidariedade. Doar sangue é um gesto simples, mas muito significativo”, afirmou.

Doadores participaram da campanha e contribuíram para reforçar os estoques de sangue destinados aos pacientes do Hoiol. Foto: Divulgação

Doações regulares –  A Agência Transfusional do Hoiol é responsável pelo gerenciamento dos hemocomponentes, garantindo que o sangue esteja disponível quando houver indicação clínica. A demanda por transfusões exige acompanhamento permanente. De acordo com o biomédico do setor, Matheus Bernardes, a unidade realiza cerca de 250 transfusões por mês. “As campanhas de doações são muito importantes para os pacientes em tratamento oncológico. Por isso, precisamos manter um fluxo contínuo de doações e utilizar esse recurso com muita responsabilidade”, destacou.

Durante discurso na abertura do evento, a assistente social do Hemopa, Camila Medina, ressaltou a participação dos diferentes públicos nas campanhas realizadas no hospital. “É uma satisfação imensa e um privilégio estar aqui, mais uma vez, neste hospital acolhedor, cercado por pessoas tão solidárias. Observamos uma participação expressiva, tanto de colaboradores quanto de familiares, além daqueles que transitam nas proximidades do hospital”, afirmou Camila, enquanto reforçava o convite para que familiares, amigos e a população em geral comparecerem aos pontos de coleta do Hemopa para contribuir.

Foto: Divulgação

Solidariedade – A programação também contou com a participação de artistas, influenciadores e parceiros que se uniram à causa, entre eles Dalton Mágico, Tio Bala, Pedro Bolha, Camila Moraes e Raiony Nascimento, Samuel Andrade, Elton Monteiro, Sávio Coelho, Bruno, do FB Mania, Lagoinha Belém Music, Fafá Maniva e Us Carapanãs. O Paysandu Sport Club também marcou presença, representado pelo diretor de Responsabilidade Social, Thalys Cardoso, pelo ídolo Beto e pelo mascote Lobo Mau, que participaram da mobilização em apoio à campanha de doação de sangue.

Entre os voluntários que doaram durante a campanha estava o soldado Rafael Gomes, de 24 anos. Doador de sangue há cerca de dois anos, ele participou pela primeira vez de uma ação realizada no Hoiol. “Minha principal motivação é ajudar quem precisa”, contou.

A coordenadora de Humanização do Hoiol, Natacha Cardoso, o biomédico da Agência Transfusional do Hoiol, Matheus Bernardes e a assistente social do Hemopa, Camilla Medina, discursaram na abertura da campanha de doação do Hoiol. Foto: Divulgação

A experiência de quem enfrenta o câncer também ajuda a mostrar a importância da doação. A autônoma Reevilly Maitê Souza, de 30 anos, é mãe de Rebeca, de 10 anos, que passou por tratamento contra a leucemia e foi submetida a um transplante de medula óssea há quase três anos. Durante o tratamento da filha, as transfusões fizeram parte da rotina da família. A experiência levou mãe e filha a defenderem a causa, utilizando as redes sociais para incentivar familiares, amigos e seguidores a doar sangue. “A doação voluntária salvou a vida dela diversas vezes, graças a pessoas que nem conhecíamos”, relatou Revelly.

Hoje, Rebeca segue em acompanhamento médico e não necessita mais de transfusões, segundo a mãe. Conhecida nas redes sociais como “Beijinho de Luz”, a menina também participa das campanhas de conscientização. “É muito importante você doar seu sangue, porque tem muita gente que precisa. Eu já precisei e todos nós do hospital precisamos. Então eu peço para você doar sangue, por favor. Beijinho de Luz, fui!”, disse a menina.

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Doação – Além das campanhas realizadas no hospital, a população pode procurar diretamente as unidades de coleta do Hemopa e informar o código do Hoiol, 1766. A mobilização, segundo os organizadores, busca não apenas atender às necessidades imediatas da unidade, mas criar uma cultura permanente de doação voluntária.

A dona de casa Fátima Oliveira, de 33 anos, moradora de Viseu, município do nordeste paraense, faz um apelo pela doação de sangue para seu filho, Pedro Lucas, que realiza tratamento contra leucemia há dois meses e depende de transfusões frequentes. “Sempre peço para que as pessoas doem sangue. Doar é um ato que salva vidas, como a do meu filho”, afirmou.

O pai do menino Pedro Lucas, José Osmar da Silva, trabalha em uma madeireira e, mesmo após trabalhar a noite toda, tentou realizar uma doação de sangue. Adiou os planos ao ser informado que estar descansado é um critério obrigatório e que o doador deve ter dormido pelo menos 6h na noite anterior à doação. “Não pude doar hoje, mas posso incentivar as pessoas a doarem, porque tem muita gente que precisa de sangue”, disse.

Após vivenciar a importância das transfusões durante o tratamento contra a leucemia, Rebeca e a mãe, Revelly, passaram a incentivar outras pessoas a doar sangue. Foto: Divulgação