Ações realizadas no auditório, na brinquedoteca e à beira-leito envolveram colaboradores, pacientes e acompanhantes em momentos de interação, criatividade e acolhimento
Por Ellyson Ramos
25/05/2026 18h45

O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol) realizou, nesta segunda-feira (25), uma programação especial em alusão ao Dia do Brincar, celebrado em 28 de maio. A data chama atenção para a importância das brincadeiras no desenvolvimento infantil, no fortalecimento de vínculos e na garantia de direitos. Na unidade, a iniciativa foi coordenada pela equipe de Humanização e reuniu colaboradores, pacientes e acompanhantes em atividades promovidas no auditório, na brinquedoteca do segundo andar e à beira-leito.
Com foco na promoção do bem-estar e na valorização do brincar como ferramenta de cuidado no ambiente hospitalar, a programação incentivou a criatividade, a convivência e proporcionou experiências que despertam memórias afetivas e fortalecem o cuidado humanizado. A coordenadora de Humanização do Hospital Octávio Lobo, Natacha Cardoso, destacou que a celebração da data já integra o calendário anual de ações da unidade e reforça um compromisso diretamente relacionado à garantia de direitos das crianças e adolescentes atendidos no hospital.
Ela ressalta que o brincar é reconhecido como um direito fundamental previsto pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), além de ser uma importante estratégia de proteção e desenvolvimento. “O brincar contribui para o crescimento cognitivo e emocional, fortalece a socialização, estimula habilidades motoras e favorece o desenvolvimento da criança de forma integral. Por isso, é uma data essencial dentro das ações de humanização do Oncológico Infantil”, afirmou Natacha.

No ambiente hospitalar, a brincadeira assume ainda um papel de apoio ao processo terapêutico, ajudando a reduzir a ansiedade, incentivar a socialização e tornar a permanência na unidade mais leve tanto para os pacientes quanto para os familiares que acompanham o tratamento. Para a coordenadora, promover atividades lúdicas durante o atendimento é uma forma de ampliar o bem-estar e assegurar que esses pacientes mantenham vivências próprias da infância.
“A criança não escolheu enfrentar o adoecimento, mas ela continua sendo criança e precisa ter garantidos momentos de interação, socialização e ludicidade. Trazer o ‘Dia do Brincar’ para dentro do hospital é proporcionar esse espaço de convivência e permitir que elas vivenciem a infância mesmo durante o tratamento, com o menor impacto possível no seu desenvolvimento”, destacou.

Oficina do Riso – Além das ações voltadas aos pacientes, a programação também contemplou os profissionais da unidade. Segundo Natacha Cardoso, momentos de socialização e de brincar livre fazem parte das estratégias de valorização do trabalhador previstas pela Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde (SUS) e contribuem diretamente para o bem-estar emocional das equipes.
“É fundamental cuidar de quem cuida. O ambiente hospitalar exige muito emocionalmente dos profissionais e essas atividades promovem acolhimento, ajudam a reduzir a tensão do dia a dia e fortalece vínculos. O retorno que recebemos dos colaboradores mostra justamente isso. São momentos que despertam alegria, fortalecem o ambiente de trabalho e fazem bem para a saúde mental de todos”, pontuou a coordenadora.

Ministrada pelos atores voluntários Ricardo Tomaz e Nelson Delgado, a Oficina do Riso, realizada no auditório da unidade, reuniu colaboradores em uma série de exercícios voltados ao relaxamento, à interação e ao bem-estar emocional. A programação começou com alongamentos e técnicas de respiração, seguidos de dinâmicas de expressão corporal e exercícios de risoterapia, como sons vocais, movimentos guiados e propostas que incentivaram os participantes a rir de si mesmos de forma leve e espontânea.
Ao longo da oficina, jogos em dupla e em grupo estimularam confiança, cooperação e integração entre os participantes, além de favorecerem momentos de descontração no ambiente de trabalho. A atividade também contou com exercícios de meditação do riso e práticas de relaxamento, encerrando com uma roda coletiva de interação e troca de percepções sobre a experiência vivenciada.

Ricardo Tomaz é profissional de Recursos Humanos e conta que a oficina reuniu práticas do yoga do riso e dinâmicas que incentivaram o resgate da espontaneidade e da conexão com o brincar. A participação da equipe foi marcada, segundo o voluntário, pelo envolvimento e entrega às atividades propostas, que por sua vez fortalecem o cuidado emocional e torna o ambiente hospitalar mais acolhedor. “O riso traz benefícios emocionais e sociais e transforma a forma como a pessoa percebe o que está ao redor. Sempre que houver oportunidade de brincar, sorrir e trabalhar o bom humor, isso deve ser valorizado, porque quem recebe esse cuidado também se fortalece para cuidar do outro”, afirmou o facilitador.

Interação – A enfermeira da Auditoria de Prontuário do Hoiol, Jéssica Cardoso, destacou a experiência como um momento de integração e cuidado, além de elogiar a metodologia aplicada pelos voluntários. “Achei uma experiência muito criativa. Já havia participado de outra atividade relacionada ao riso, mas essa proposta trouxe uma vivência diferente, com muita interação. Foi um momento prazeroso de descontração dentro da rotina de trabalho, em que conseguimos parar um pouco, participar e até rir de nós mesmos”, relatou.
Jéssica ressaltou ainda que as dinâmicas favoreceram o bem-estar, a harmonia entre a equipe e o trabalho coletivo, além de criarem um espaço voltado à saúde mental. “Foi um momento importante para desacelerar e focar no relaxamento do corpo e da mente. São ações que fortalecem o bem-estar de toda a equipe”, reiterou.
Após resgatar memórias afetivas ligadas à infância e redescobrir as origens do brincar como um hábito de saúde física, mental e de bem-estar emocional, colaboradores também interagiram com usuários na brinquedoteca do segundo andar. A partir da vivência do brincar livre, ampliaram o alcance da ação e arrancaram sorrisos de usuários e acompanhantes durante interação na brinquedoteca do segundo andar. Momento de interação e descontração coletiva.

Novas formas de brincar – A dona de casa Nazaré Paiva, de 57 anos, natural do município de São Francisco do Pará, acompanha o neto, Samuel da Silva, de 8 anos, durante a internação no Hospital Octávio Lobo. Em tratamento contra a Leucemia Linfoide Aguda (LLA) tipo B, o menino faz questão de participar de brincadeiras durante a rotina hospitalar. “Gosto de brincar todo dia, brincar com a minha mãe e jogar no celular”, contou.
Para a avó, manter esses momentos de descontração durante o tratamento contribui diretamente para o bem-estar de Samuel. Nazaré observa que, embora as brincadeiras tenham mudado ao longo dos anos, elas continuam fazendo parte da infância e contribuindo para o bem-estar das crianças. “As brincadeiras hoje são diferentes das que eu tive na infância, mas continuam sendo muito importantes. Eu vejo que ajudam as crianças a distraírem a cabeça, deixam elas mais animadas e mais felizes. Isso é o que realmente importa”, afirmou.
A servidora pública Maurícia Viana, de 34 anos, natural de Rondon do Pará, acompanha a filha Helena , de 7 anos, em tratamento contra leucemia há dois meses. Para a genitora, as atividades ajudaram a quebrar a dinâmica marcada por medicações e internações e despertaram lembranças ligadas à infância. “É muito bom para descontrair e sair um pouco dessa tensão e do ambiente voltado só para a doença. Acho que deveria acontecer ainda mais vezes, porque deixa as crianças mais felizes e torna a rotina mais leve para todos”, afirmou.
Serviço: Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o Hoiol é referência na região Amazônica no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil, na faixa etária entre zero a 19 anos. A unidade é gerenciada pelo Instituto Diretrizes (ID), por meio de contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

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